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terça-feira, 29 de junho de 2010

As disposições para comungar dignamente

Em síntese: Vai publicada nas páginas seguintes parte do texto de uma Declaração da S. Congregação para os Sacramentos, que, embora datada de 1938, conserva sua atualidade até hoje. Tal documento recomenda que,
1) em consonância com a exortação de S. Pio X, os fiéis se aproximem freqüentemente, ou mesmo todos os dias, da S. Eucaristia;
2) que o façam, porém, em estado de graça, evitando toda forma de sacrilégio ou abuso. Daí a necessidade de se remover qualquer tipo de coação sobre os membros de comunidades ou grupos para os quais a S. Eucaristia é celebrada; daí também a necessidade de se oferecer a todos os fiéis a ocasião de confissão sacramental periódica (embora não seja necessária antes de toda e qualquer Comunhão Eucarística). Daí também a obrigação de não se fazer da S. Eucaristia mero símbolo de solidariedade fraterna (testemunho de amizade a quem aniversaria, a quem se casa ou a quem está enlutado...), mas tomá-la, antes do mais, como o sacramento da união ao Senhor Deus, que é três vezes santo.


Quem acompanha as celebrações litúrgicas hoje em dia, observa grande número de Comunhões Eucarísticas e exígua procura do sacramento da reconciliação. É certo que não se requer a Penitência sacramental antes de toda e qualquer participação na Eucaristia; parece, porém, que às vezes a Comunhão já não é considerada como recepção do Corpo e do Sangue do Senhor, que requer estado de graça ou ausência de pecado mortal, mas, sim, como testemunho de solidariedade aos irmãos, especialmente quando há casamento, celebração de aniversário ou sufrágio por um fiel defunto... Há mesmo quem reconheça não estar devidamente preparado para comungar; aproxima-se, porém, da Eucaristia, propondo confessar-se depois como se este propósito fosse suficiente para receber a Eucaristia em tais circunstâncias.

Ora esta prática contradiz à doutrina da Igreja, que tem ensinado repetidamente a necessidade do estado de graça para que possa haver digna recepção da Eucaristia. Em PR 270/83, pp. 395-411, foi publicado um artigo do Pe. Armando Bandera O. P., que, recorrendo à palavra do S. Padre João Paulo II, incute tal verdade. – Neste número de PR segue-se parte de outro documento da Igreja, de teor semelhante. Trata-se da Instrução Postquam Pius da S. Congregação para os Sacramentos datada de 08/12/1938; embora não seja um escrito recente, é portador de doutrina sempre válida no tocante ao ponto que nos interessa.

Numa palavra: verifica-se que, há quarenta e mais anos, como hoje, a S. Igreja deseja que


- os fiéis se aproximem freqüente ou diariamente da S. Eucaristia;


- recebam a Comunhão em condições dignas ou em estado de graça, evitando todo sacrilégio ou abuso.

Vê-se, pois, quão urgente é não fazer da S. Eucaristia mero símbolo de solidariedade fraterna (a quem aniversaria, a quem se casa ou a quem está enlutado...), mas tomá-la, antes do mais, como sacramento da união ao Senhor Deus, que é três vezes santo. Faz-se mister outrossim que as pessoas já esclarecidas se disponham a esclarecer os fiéis católicos que, ignorando as condições para a digna recepção da Eucaristia, procuram a Comunhão sem antes se preparar pela Reconciliação sacramental, quando necessária.

O cânon 663, § 2º do Código de 1983 determina que “os membros dos Institutos Religiosos devem, quanto possível participar todos os dias do Sacrifício Eucarístico, receber o Santíssimo Corpo de Cristo e adorar o próprio Senhor presente no Sacramento”. Todavia este cânon há de ser compreendido à luz dos dizeres dos cânones 6, § 2º e 21.

O cânon 6, § 2º reza que “os cânones deste Código, enquanto reproduzem o Direito antigo, devem ser apreciados, levando-se em conta também a tradição canônica”.

O cânon 21 – ainda mais importante – estipula que “na dúvida não se presuma a revogação de lei preexistente, mas leis posteriores devem ser comparadas com as anteriores, e, quanto possível, com elas harmonizadas”.

Ora é certo que na tradição jurídica da Igreja existem normas que exigem condições de alma especiais para que alguém possa dignamente receber a S. Eucaristia. Por conseguinte, tais disposições canônicas não foram ab-rogadas pelo novo Código, mesmo quando este recomenda a S. Comunhão cotidiana.

Vê-se, pois, que, se, de um lado, a Igreja estima e recomenda a Comunhão freqüente, Ela não a impõe categoricamente, mas, ao contrário, deseja haja, para todos os fiéis, liberdade de comungar ou não, de acordo com os ditames da sua consciência. (Nota do tradutor).

² O cânon 920 do Código de 1983 estabelece que todo fiel católico, após a Primeira Comunhão, “tem o dever de comungar ao menos uma vez por ano. Este preceito deve ser cumprido no tempo pascal a não ser que, por justa causa, se cumpra em outra época dentro do mesmo ano”. Por “tempo pascal” na Igreja universal entende-se o período que vai de quinta-feira santa até o Domingo de Pentecostes (no Brasil o tempo pascal estende-se do primeiro Domingo de fevereiro até 16/07).

“Justa causa”, no caso, pode ser distância física em relação à Igreja ou mesmo a necessidade de melhor preparação mediante uma confissão bem feita. (Nota do tradutor).

¹ Diz o cânon 916 do novo Código:

“Quem está consciente de pecado grave, não celebre a Missa nem comungue o Corpo do Senhor sem fazer antes a Confissão sacramental a não ser que exista causa grave e não haja oportunidade para se confessar; neste caso, porém, lembre-se de que é obrigado a fazer um ato de contrição perfeita, que inclui o propósito de se confessar quanto antes”. (Nota do tradutor).

por D. Estevão Bettencourt, osb


http://www.cleofas.com.br/
 
Extraído do site: http://www.comshalom.org/

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Eucaristia

Vivi uma experiência inesquecível há algum tempo. Num encontro onde estive pregando, enquanto distribuía a comunhão durante a missa, percebi uma alergia muito intensa na mão de uma pessoa que ia receber a Eucaristia. No momento em que coloquei a Hóstia Consagrada em sua mão a alergia desapareceu. Durante todo o restante do rito da comunhão, fiquei me perguntando: "Senhor, o que vi foi mesmo real ou foi impressão minha? O Senhor curou?"


Após a comunhão, durante uma oração de cura, comecei a orar pelo povo e tive a coragem de anunciar aquela cura. Falei em voz alta: "Onde você estiver, se manifeste e mostre para as pessoas a sua mão". A resposta foi imediata: com lágrimas nos olhos, a pessoa mostrou a todos sua mão curada.

Recebemos, na Canção Nova, muitos testemunhos de pessoas que foram curadas fisicamente através da Eucaristia. O Senhor tem realizado verdadeiros milagres.

A Eucaristia é como um remédio, o qual temos de tomar constantemente, até ficarmos curados. Principalmente quando a nossa luta é contra um determinado pecado, que não conseguimos vencer. Só assim, seremos vencedores nessa luta. Se freqüentemente recebermos o corpo do Senhor, a cura e a libertação irão acontecer.

Você já viu algum doente que tem vergonha de tomar remédio, porque já tomou muito medicamento e não foi curado? Não há motivo para essa vergonha. O que o doente tem que fazer é continuar tomando o remédio, até ser curado. Com a Eucaristia também é assim.

Muitas vezes, o inimigo insinua que não podemos continuar comungando, porque nos confessamos e constantemente caímos no mesmo pecado. Isso é tentação! Ele sabe que o remédio é a Eucaristia. Não estou dizendo para você comungar em pecado. Estou dizendo: comungue para vencer o pecado. Precisamos desses dois Sacramentos: Eucaristia e Penitência. Temos que buscá-los incessantemente, confessar-se quantas vezes for preciso. Comungar freqüentemente: quantas vezes puder, até diariamente.

Muitas pessoas dizem: "Já confessei muitas vezes o mesmo pecado, não quero ser sem-vergonha e ficar confessando isso sempre". Não é vergonha nenhuma, continuar curando a ferida, até que seja curada por completo. Isso é artimanha do tentador.

Quando estamos em tratamento médico, enquanto não somos curados, voltamos várias vezes ao consultório. Podemos até mesmo mudar de médico, mas continuamos tomando remédio, até nos curarmos completamente. Com o pecado, que é a doença da alma, precisamos também agir assim: confessar-se tantas vezes, quantas for necessário e comungar sempre que puder, porque a cura do pecado é mais difícil do que a cura das nossas doenças físicas.

Confesse e comungue, mesmo que você sinta fraqueza ou tentação. Enquanto não voltarmos a pecar gravemente, comunguemos sem medo. É como fazemos com um ferimento: limpamos primeiro, para depois colocar remédio. O mesmo devemos fazer com a ferida da alma: limpá-la através da confissão e, depois colocar remédio – que é a Eucaristia – para curá-la.

Santa Teresinha, numa de suas cartas dirigidas à sua irmã, disse: "Não é para ficar numa âmbula de ouro que Jesus desce cada dia do Céu, mas para encontrar um outro Céu da nossa alma, onde Ele encontra Sua delícias" E continua: "quando o demônio não pode entrar com o pecado no santuário de uma alma, quer pelo menos que ela fique vazia, sem dono, afastada da comunhão!"

Deus quer combater esta ferida em nós e, para isso, precisamos desses dois Sacramentos, que são amostras do amor infinito de Jesus por nós. Ele nos manda perdoar setenta vezes sete, porque também está disposto a nos perdoar setenta vezes sete: até que sejamos curados. 

É pela nossa perseverança que venceremos. Lute! Jesus já lhe deu o remédio infalível: a Confissão e a Eucaristia. A vitória está nas nossas mãos! Jesus quis dar-Se totalmente na Eucaristia para vir em nosso auxílio e nos curar onde precisamos: em nossa mente, nossos olhos, nossos ouvidos, nossos lábios, nosso corpo, nosso coração, nossa sexualidade. Ele vem pessoalmente, "corpo a corpo", para nos curar e nos dar a vitória sobre o pecado.

Reze agora, agradecendo a Jesus, por esse grande presente que nos deixou:

"Obrigado, Senhor, pela oportunidade que tenho diariamente de receber-Te na comunhão e assim receber tantas graças de que necessito, especialmente a de vencer a tentação e o pecado. Creio que serei vitorioso, usando esse poderoso remédio que é a Eucaristia.

Senhor, obrigado por todo esclarecimento que recebi a respeito da Eucaristia. Dá-me, Senhor, deste pão, para que eu possa ser curado e ressuscitado, conforme a promessa que está em Tua palavra: 'Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele, e eu o ressuscitarei' (Jo 6,54.56). Ressuscita-me, Senhor Jesus. Amém!"
Padre Jonas Abib

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